Teaser do Novo Filme de Xavier Dolan

Tom na Fazenda, quarto filme do diretor, é um drama/thriller psicológico

Com 24 anos de idade, Xavier Dolan já conta com quatro longas-metragens em sua carreira. Desde Eu Matei Minha Mãe (2009), seu primeiro longa, Dolan vem sendo elogiado e premiado por conta de seus filmes peculiares e originais, que tratam de sexualidade, com teores pessoais e autobiográficos. Seus outros dois filmes, Amores Imaginários (2010) e Laurence Anyways (2012), assim como seu filme de estreia, foram nominados a importantes premiações e ganharam diversos prêmios em festivais como Cannes e Toronto.

Tom na Fazenda (trad. livre) também trata de sexualidade, mas, diferentemente dos três longas anteriores, não há menções pessoais na história. O filme é uma adaptação da peça homônima, do diretor teatral Michel Marc Bouchard – que dividiu com Dolan a montagem do roteiro – e conta a história de um jovem, Tom, que viaja a uma pequena cidade para ir ao funeral do namorado. Ele não imaginava que, para a família, ele seria um estranho, já que os pais e irmão de seu namorado desconheciam a relação dos dois e, pior, não faziam ideia de que o filho era homossexual.

O teaser abaixo diz pouco: Tom (Xavier Dolan) é apanhado pela pessoa da qual fugia e o que vê-se depois é uma agressão íntima e pessoal que não mostra muito sobre a relação entre o agressor e o agredido, à exceção de que é intensa.

Apesar de ter sido exibido na última Mostra do Festival de Veneza, onde ganhou o prêmio da crítica, Tom na Fazenda só deve estrear em meados de Março do próximo ano.

Casal anuncia casamento usando pôsteres de filmes e séries

Joshua Watson e Rachel van der Merwe é um casal feliz e apaixonado que decidiu oficializar a união com um casamento. Eles poderiam ter escolhido um convite de casamento original, mas decidiram ser ainda mais criativos e foram além: fizeram pôsteres de seus filmes e séries favoritos para anunciar a união à família e aos amigos.                                                                                               No lugar das personagens originais, é claro, os dois colocaram suas próprias fotos. Cada pôster está relacionado a uma etapa do relacionamento.

Confira o resultado:

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Festival de Veneza anuncia filmes da edição de 2013

Essa será a 70ª edição do festival, que acontece dentro da Bienal de artes.

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A organização do Festival Internacional de Cinema de Veneza anunciou hoje a lista dos 53 filmes que serão exibidos nessa edição. Desses 53 filmes, 17 não estarão em competição, incluindo o filme de abertura, Gravity, do diretor Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock e George Clooney no elenco. Ao principal prêmio do festival, o Leão de Ouro, concorrerão 20 filmes. O júri será presidido pelo aclamado diretor italiano Bernardo Bertolucci.

O Festival Internacional de Veneza acontece desde 1932 e é um dos mais prestigiados  e importantes do mundo. As produções que competem no festival, ganhadoras ou não, geralmente competem em outros festivais e premiações importantes, como Cannes, Toronto e Oscar.

Confira os filmes desta edição:

– FILME DE ABERTURA

Gravity, Dir: Alfonso Cuarón

– FILME DE ENCERRAMENTO

Amazonia, Dir: Thierry Ragobert

– EM COMPETIÇÃO

Ana Arabia, Dir: Amos Gitai

Child of God, Dir: James Franco

The Police Officer’s Wife, Dir: Philip Groning

L’intrepido, Dir: Gianni Amelio

La Jalousie, Dir: Philippe Garrel

Jiaoyou, Dir: Tsai Ming-liang

Joe, Dir: David Gordon Green

Kaze Tachinu, Dir: Hayao Miyazaki

Miss Violence, Dir: Alexandros Avranas

Night Moves, Dir: Kelly Reichardt

Parkland, Dir: Peter Landesman

Philomena, Dir: Stephen Frears

Sacro, Dir: Gianfranco Rosi

Es-Stouh, Dir: Merzak Allouache

Tom at the Farm, Dir: Xavier Dolan

Tracks, Dir: John Curran

Under the Skin, Dir: Jonathan Glazer

The Unknown Known: the Life and Times of Donald Rumsfeld, Dir: Errol Morris

Via Castellana Bandiera, Dir: Emma Dante

The Zero Theorem, Dir: Terry Gilliam

– FORA DE COMPETIÇÃO 

Die Andere Heimat — Chronik einer Sehnsucht, Dir: Edgar Reitz

The Armstrong Lie, Dir: Alex Gibney

At Berkeley, Dir: Frederick Wiseman

The Canyons, Dir: Paul Schrader

Che strano chiamarsi Federico Scola racconta Fellini, Dir: Ettore Scola

Feng Ai, Dir: Wang Bing

Locke, Dir: Steven Knight

Moebius, Dir: Kim Ki Duk

Pine Ridge, Dir: Anna Eborn

Space Pirate Captain Harlock, Dir: Aramaki Shinji

Summer 82 When Zappa Came to Sicily, Dir: Salvo Cuccia

Ukraine Is Not Brothel, Dir: Kitty Green

Walesa. Czlowiek z nadziei, Dir: Andrzej Wajda, Ewa Brodzka

Wolf Creek 2, Dir: Greg McLean

Unforgiven, Dir: Lee Sang-Il

– MOSTRA HORIZONTES – NOVAS TENDÊNCIAS DO CINEMA

Algunas Chicas, Dir: Santiago Palavecino

Little Brother, Dir: Serik Aprymov

Eastern Boys, Dir: Robin Campillo

Why Don’t You Play in Hell?, Dir: Sono Sion

Fish and Cat, Dir: Shahram Mokri

Je m’appelle Hmmm…, Dir: Agnes B.

Medeas, Dir: Andrea Pallaoro

Il terzo tempo, Dir: Enrico Maria Artale

Palo Alto, Dir: Gia Coppola

Piccola Patria, Dir: Alessandro Rossetto

La prima neve, Dir: Andrea Segre

Ruin, Dir: Amiel Courtin-Wilson, Michael Cody

The Sacrament, Dir: Ti West

Still Life, Dir: Uberto Pasolini

We Are the Best!, Dir: Lukas Moodysson

La vida despues, Dir: David Pablos

Wolfschildren, Dir: Rick Ostermann

A 70ª edição do Festival de Veneza acontece entre 28 de agosto e 8 de setembro.

 

Yorgos Lanthimos, Athina Tsangari e a crise no novo cinema grego

Até que ponto uma crise econômica pode afetar a produção cultural de um país? A possível resposta foi dada por dois diretores dessa nova onda do cinema grego. Athina Rachel Tsangari, diretora em Attenberg (2012), disse que “O que acontece é que não temos muitos fundos, então, temos que gastar muito pouco para fazer filmes muito baratos”. Já Yorgos Lanthimos, que dirigiu Dente Canino (2009) e Alps (2011), afirmou que não sabe até quando diretores e produtores precisarão se sacrificar em nome da arte. Tais dificuldades, apontadas pelos dois diretores, refletem-se na produção de filmes deles: Lanthimos produziu Attenberg (2012), de Tsangari, e ela produziu os longas do diretor, incluindo Kinetta, de 2005.

lanthimostsaangriLanthimos e Tsangari

Há uma dificuldade enorme para se conseguir fundos e quem banque os filmes numa época tão turbulenta economicamente. No entanto, engana-se quem pensa que os filmes que vêm sendo produzidos no país mediterrâneo são, necessariamente, reflexos da crise econômica.

Tanto os filmes de Lanthimos quanto os de Tsangari tratam, de um jeito ou de outro, sobre relações familiares. Segundo Tsangari, a família é algo muito importante na Grécia. Ela, inclusive, chega a apontar esse sentimento fraternal e de confiança entre as pessoas do país como uma das causas dos resultados horríveis causados pela crise na Grécia. Outra particularidade comum aos dois diretores é a estranheza e peculiaridade dos filmes tão inusitados que criam.

Em Dente Canino (Lanthimos, 2009), a história gira em torno de um pai que mantém os três filhos, de 20 e poucos anos, confinados dentro de casa em um local afastado da cidade desde que nasceram. Além dos pais, nenhum dos três jamais cruzou o portão afora, nem teve contato com o mundo exterior à casa. Eles vivem, pensam e falam à maneira que lhes foi ensinada pelos pais. Todas as curiosidades que eles têm são sanadas com significados irreais criados pelos pais, que querem proteger os filhos das possíveis ameaças do mundo.                   Com um senso de humor insólito e culpado no começo, Dente Canino toma formas perturbadoras e inquietantes ao longo de seus 94 minutos.

dogtooth-450x297Cena de Dente Canino

Também de Lanthimos, Alpes (2011) conta a história de uma enfermeira, um paramédico, uma ginasta e seu treinador que têm um negócio distinto: eles formam um grupo denominado Alps, que oferece apoio a famílias que perderam entes próximos, substituindo quem morreu. São assim chamados porque, segundo o líder, o paramédico, os Alpes suíços poderiam substituir qualquer montanha no mundo, mas não poderiam ser substituídos por alguma outra.  Em troca de salário, cada integrante substitui uma pessoa e, com o consentimento da família, empenha-se a viver e fazer atividades como as pessoas que morreram faziam.                                                                                                                       Aqui também há humor contraditório e estranho, que contrasta muitas vezes com a angústia e desespero de quem busca preencher o vazio da perda de alguém querido, que, nesse caso, aparenta ser substituível.

Alps2Aggeliki Papoulia em cena de Alps

Attenberg (2010), de Tsangari, é sobre Marina (Ariane Labed), uma jovem de 23 anos que vive com seu pai, que é arquiteto e está com câncer. Ela evita contato com as pessoas, emocional e fisicamente, porque as julga estranhas. As pessoas com quem ela interage são seu pai, Spyros (Vangelis Mourikis) e sua única amiga, Bella (Evangelia Randou), com quem ela tem aulas sobre sexualidade.                                                                                                       Marina passa boa parte do seu tempo assistindo a documentários de David Attenborough sobre vida animal e escutanto sua banda preferida, Suicide. Enquanto Spyros, pessimista, espera sua morte, Marina se envolve num caso com um engenheiro que veio à cidade a trabalho.

attenbergEvangelia Randou e Ariane Labed em Attenberg

Mesmo que não muito comerciais, os filmes dessa nova safra grega vêm chamando muita atenção do mundo todo. Yorgos Lanthimos ganhou a mostra Um Certo Olhar de 2009, em Cannes, por Dente Canino; Ariane Labed, Marina em Attenberg, ganhou o prêmio de melhor atriz do Festival de Veneza de 2010.     Lanthimos, ao contrário de muitos, não acredita que os filmes que tem feito representem alguma cena pertinente no cenário cinematográfico do país, apesar de, assim como Tsangari, reconhecer a importância de retratar o país através de filmes para audiências no exterior e mesmo na Grécia.

Se há ou não denominações para o atual cenário cinematográfico grego, não se pode duvidar da criatividade e capacidade desses diretores. Criatividade e capacidade estas que eles mostraram ao realizar filmes originais e admiráveis com pouco orçamento e sem muitas condições.

Outros filmes da nova cena grega: L, Boy Eating the Bird’s Food, Strella, Tale 52.

Depois de Lucía

Em seu segundo longa-metragem, o mexicano Michel Franco mostra a importância da comunicação com a família e as consequências de sofrer em silêncio

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Após a morte de Lucía em um acidente de carro, o viúvo Roberto e sua filha, Alejandra, mudam-se do interior para recomeçar a vida na gigante Cidade do México. Na nova cidade, com todas as mudanças que vêm sofrendo, Roberto consegue um novo trabalho e Alejandra vai se adaptando ao novo colégio.       Mas, depois do vazamento de um vídeo íntimo de Alejandra, ela passa a ser constantemente atormentada e humilhada por seus novos colegas de classe.

O filme é rodado, em sua maior parte, de um modo muito despretensioso, com tomadas de câmera simples e paradas, aliadas à falta de trilha sonora. O silêncio dos personagens é inquietante o bastante; Roberto (Hérnan Mendoza), o pai, é reservado e não muito expansivo, que é claramente consequência do luto que ele carrega. Alejandra, interpretada minuciosamente bem por Tessa Ia, também é calada e cautelosa. Um dos focos principais do filme é, inclusive, o isolamento e a incapacidade de Alejandra se manifestar sobre os abusos físicos e emocionais que sofre. Além de lidar com o próprio luto, Alejandra também se dedica a ajudar o pai, auxiliando-o com as tarefas do restaurante e o fazendo companhia.

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A forma como Franco retratou o bullying nesse filme e o abuso dos estudantes com Alejandra são muito impessoais e objetivos: sem moralismo ou busca de causas e soluções. O diretor tão apenas faz com o espectador se coloque no lugar da protagonista. Algumas das situações relatadas são extremas e difíceis de digerir, mas totalmente necessárias para que, ao se deparar com tamanha crueldade, possa-se absorver a história de uma forma clara e objetiva.

Depois de Lucía é um daqueles filmes que, definitivamente, crescem em você. Pode não parecer no começo, com o ritmo de filme imposto por Franco, mas, com o desenvolvimento da trama e conforme a tensão aumenta, não é difícil sentir-se dentro dele, sofrendo junto com Alejandra.

O filme faturou o prêmio máximo da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes de 2012, e uma menção honrosa na sessão Horizontes Latinos, no Festival de San Sebastián (Espanha), além de destacar o jovem diretor Michel Franco.

Para assistir ao trailer do filme, clique aqui.

Nota: 4/5