Parabéns ao Mestre: Stanley Kubrick

Hoje é um dia “Iluminado” para os fãs de cinema – E por isso reunimos biografia, filmografia e curiosidades de Stanley Kubrick para o dia de hoje – Em que o diretor faria 85 anos. Então junte seus “drugues” e comemore com a gente

Parabéns ao Mestre: STANLEY KUBRICK

Por: Roberto Honorato

Hoje é dia 26 de Julho, e ha 85 anos nascia em Nova York um dos diretores mais importantes da história.

Tudo poderia ter sido diferente se seu pai não tivesse dado ao filho sua primeira câmera aos 13 anos. Não demorou muito para que Stanley se tornasse um fotógrafo profissional e já trabalhasse regularmente para a revista “Look”, onde começou a se interessar ainda mais por cinema. Mas foi só  se juntar ao seu amigo Alexander Singer, que Kubrick planejou participar deste mundo, e em 1950 fez o documentário Day of the Fight (1951), logo depois vieram outros até fazer seu primeiro trabalho notável: Medo e Desejo em 1953.

Infelizmente, não foi uma experiência agradável para o diretor que terminou seu casamento com Toba Metz, sua namorada desde tempos de colégio. Mesmo assim, foi neste período que ele começou a receber elogios por sua direção, até que Hollywood prestou atenção nele após o lançamento de O Grande Golpe (1956), atenção esta que render a Kubrick a oportunidade de trabalhar com um dos maiores atores da época, Kirk Douglas em não um, mas dois filmes, sendo eles Glória Feita de Sangue (1957) e Spartacus (1960), este segundo trazendo alguns problemas que começaram a mostrar algumas das “manias” de Kubrick.

Douglas chamou Kubrick para tomar conta da produção do filme, esperando que o mesmo não se preocupasse tanto e pudesse se acomodar, mas o que aconteceu foi o contrário, Kubrick acabou tomando conta do projeto e impondo suas ideias e conceitos para o filme, deixando muitos envolvidos no projeto incomodados com com seu estilo; O cinegrafista Russell Mettychegou a reclamar com os produtores que Kubrick estava tomando conta de seu trabalhaho, chegando a afirmar que teria sido mandado “ficar sentado fazendo nada”. Ironicamente, Metty recebeu o Oscar por seu “trabalho”.

Depois disto, o próximo projeto de Kubrick seria dirigir Marlon Brando, mas devido alguns problemas com a negociação, Brando acabou dirigindo o filme, conhecido até como como A Face Oculta (1961).
Desanimado com Hollywood e outro casamento que não deu certo, Kubrick decidiu mudar-se permanentemente para a Inglaterra, onde começou com seus filmes mais marcantes. Começando muito bem com Lolita (1962).
O filme que é baseado na obra mais famosa do escritor Vladimir Nabokov, teve que ser feita com cautela devido ao conteúdo “controverso” da obra e a censura da época, um escorrego e o filme poderia ser um desastre, felizmente é até hoje uma das obras mais adoradas do diretor.
Seu próximo filme foi bem diferente dos anteriores e com um conteúdo tão “controverso” quanto o anterior, uma sátira envolvendo guerra nuclear! Era para ser um drama, mas Kubrick decidiu que algumas das ideias eram tão “engraçadas” que não poderiam ser levadas a sério, e dai veio um dos filmes com maior conteúdo de humor negro já vistos: Dr. Fantástico (1964). E acredite, ambos -critica e público- amaram o filme.
E foi assim que o diretor descobriu que poderia ter a liberdade de fazer o projeto que quisesse, tanto que seu próximo projeto foi uma colaboração com o autor de ficções científicas Arthur C. Clarke em uma das obras mais ambiciosas do cinema, 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968)

 

Considerado por muitos como o melhor filme de ficção da história, A Odisséia… chegou a definir padrões para o gênero que são vistos até hoje. O filme é talvez a melhor obra de Kubrick, cuidadosamente orquestrada a cada panorama e segmento, com uma direção beirando a perfeição e trilha sonora talvez ultrapassando o limite da mesma.
A Odisséia no Espaço é tudo e muito mais e Kubrick poderia ter parado por ai, se ele não quisesse mostrar que consegue se superar ao filmar o “adorado pelo universo” Laranja Mecânica (1971), que nem precisamos explicar muito, mas foi tão controverso quando Lolita devido o uso da “ultra-violência” e uma das mais polêmicas cenas do cinema: O estupro ao som de “Cantando na Chuva”
a famosa cena do tratamento Ludovico (o ator Malcolm McDowell 
sofreu com essa cena, chegando a ter a córnea cortada) 
Depois veio Barry Lyndon (1975), que mudou um pouco o rumo do diretor, mostrando um amadurecimento na sua temática e comprometimento: os atores chegavam a repetir inúmeras vezes a mesma tomada sem pausas para chegar ao nível de perfeição requerido por Kubrick.
E mais problemas vieram assim que o diretor recebeu noticias de que o grupo terrorista IRA o declarou um possível alvo devido filmar algo na Irlanda envolvendo “militares”. A produção mudou-se para outro pais, mas a necessidade de privacidade e segurança resultou a Kubrick ser um recluso desde então, mas não iria deixar de filmar, e logo em seguida precisava de um projeto.
Kubrick recusou dirigir uma sequencia para O Exorcista, então decidiu fazer seu próprio filme de terror, uma adaptação de um livro de Stephen KingO Iluminado (1977). O filme ficou marcado na memória de todos devido além da direção, a atuação de Jack Nicholson interpretando Jack Torrence, o pai maluco com machado querendo matar o filho. King chegou a dizer quer não gostou da adaptação, além de reclamar de Kubrick, que ligava o tempo todo para o escritor em horas inapropriadas.
HI LOYID!
Passaram-se uns 10 anos antes que fosse lançado seu próximo filme. No meio tempo, Kubrick se casou e teve filhos, além de remodelar sua casa e tudo o mais. Ao voltar a ativa, filmou uma das maiores críticas ao lado negro da humanidade em um de seus filmes mais famosos e aclamados pelo público e critica, Nascido Para Matar (1987).

Depois de tudo, Kubrick queria filmar algum de seus projetos congelados, mas encontrou problemas em todos. Estava encaminhando para as filmagens de Inteligência Artificial, mas acabou decidindo por De Olhos Bem Fechados (1999), que estrelava o casal Tom Cruise Nicole Kidman. Depois de 2 aos de produção o filme foi lançado e mesmo com a opinião do publico e critica divididos, Kubrick considerou este o seu melhor filme até o momento.
Finalmente, devido aos avanços tecnológicos, Kubrick começou a trabalhar em A.I., mas logo veio a triste noticia, o diretor sofreara de um ataque cardíaco fatal enquanto dormia em Março de 1999.
Mas isto não foi o fim, após a morte de Kubrick, o diretor Steven Spielberg revelou que os dois eram amigos e frequentemente discutiam sobre seus filmes e que A.I. era sempre mencionado; Kubrick teria sugerido a Spielberg dirigir devido ao estilo. Baseado em tudo isto, Spielberg dirigiu o último projeto de Stanley Kubrick: A.I. Inteligência Artificial (2001).
Nunca saberemos como seria a versão totalmente Kubrick do filme, mas podemos  agradecer por seus filmes e ideias que até hoje fazem parte da imaginação de todo amante da sétima arte.
Stanley Kubrick
1928 – Forever
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Festival de Veneza anuncia filmes da edição de 2013

Essa será a 70ª edição do festival, que acontece dentro da Bienal de artes.

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A organização do Festival Internacional de Cinema de Veneza anunciou hoje a lista dos 53 filmes que serão exibidos nessa edição. Desses 53 filmes, 17 não estarão em competição, incluindo o filme de abertura, Gravity, do diretor Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock e George Clooney no elenco. Ao principal prêmio do festival, o Leão de Ouro, concorrerão 20 filmes. O júri será presidido pelo aclamado diretor italiano Bernardo Bertolucci.

O Festival Internacional de Veneza acontece desde 1932 e é um dos mais prestigiados  e importantes do mundo. As produções que competem no festival, ganhadoras ou não, geralmente competem em outros festivais e premiações importantes, como Cannes, Toronto e Oscar.

Confira os filmes desta edição:

– FILME DE ABERTURA

Gravity, Dir: Alfonso Cuarón

– FILME DE ENCERRAMENTO

Amazonia, Dir: Thierry Ragobert

– EM COMPETIÇÃO

Ana Arabia, Dir: Amos Gitai

Child of God, Dir: James Franco

The Police Officer’s Wife, Dir: Philip Groning

L’intrepido, Dir: Gianni Amelio

La Jalousie, Dir: Philippe Garrel

Jiaoyou, Dir: Tsai Ming-liang

Joe, Dir: David Gordon Green

Kaze Tachinu, Dir: Hayao Miyazaki

Miss Violence, Dir: Alexandros Avranas

Night Moves, Dir: Kelly Reichardt

Parkland, Dir: Peter Landesman

Philomena, Dir: Stephen Frears

Sacro, Dir: Gianfranco Rosi

Es-Stouh, Dir: Merzak Allouache

Tom at the Farm, Dir: Xavier Dolan

Tracks, Dir: John Curran

Under the Skin, Dir: Jonathan Glazer

The Unknown Known: the Life and Times of Donald Rumsfeld, Dir: Errol Morris

Via Castellana Bandiera, Dir: Emma Dante

The Zero Theorem, Dir: Terry Gilliam

– FORA DE COMPETIÇÃO 

Die Andere Heimat — Chronik einer Sehnsucht, Dir: Edgar Reitz

The Armstrong Lie, Dir: Alex Gibney

At Berkeley, Dir: Frederick Wiseman

The Canyons, Dir: Paul Schrader

Che strano chiamarsi Federico Scola racconta Fellini, Dir: Ettore Scola

Feng Ai, Dir: Wang Bing

Locke, Dir: Steven Knight

Moebius, Dir: Kim Ki Duk

Pine Ridge, Dir: Anna Eborn

Space Pirate Captain Harlock, Dir: Aramaki Shinji

Summer 82 When Zappa Came to Sicily, Dir: Salvo Cuccia

Ukraine Is Not Brothel, Dir: Kitty Green

Walesa. Czlowiek z nadziei, Dir: Andrzej Wajda, Ewa Brodzka

Wolf Creek 2, Dir: Greg McLean

Unforgiven, Dir: Lee Sang-Il

– MOSTRA HORIZONTES – NOVAS TENDÊNCIAS DO CINEMA

Algunas Chicas, Dir: Santiago Palavecino

Little Brother, Dir: Serik Aprymov

Eastern Boys, Dir: Robin Campillo

Why Don’t You Play in Hell?, Dir: Sono Sion

Fish and Cat, Dir: Shahram Mokri

Je m’appelle Hmmm…, Dir: Agnes B.

Medeas, Dir: Andrea Pallaoro

Il terzo tempo, Dir: Enrico Maria Artale

Palo Alto, Dir: Gia Coppola

Piccola Patria, Dir: Alessandro Rossetto

La prima neve, Dir: Andrea Segre

Ruin, Dir: Amiel Courtin-Wilson, Michael Cody

The Sacrament, Dir: Ti West

Still Life, Dir: Uberto Pasolini

We Are the Best!, Dir: Lukas Moodysson

La vida despues, Dir: David Pablos

Wolfschildren, Dir: Rick Ostermann

A 70ª edição do Festival de Veneza acontece entre 28 de agosto e 8 de setembro.

 

ESPECIAL CHUCKY – Parte 3: Brinquedo Assassino 3 (1991)

Sorry Jack, Chucky is back!

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Durante a pós produção de Brinquedo Assassino 2, em 1990, a Universal ordenou ao roteirista e criador de Chucky, Don Mancini, que escrevesse a sequência do filme. Mancini chiou, mas depois teve que ceder as pressões dos executivos do estúdio, que o deram um prazo minúsculo. Logo, quando estreava Brinquedo Assassino 2, a Universal anunciou a pré-produção da parte 3, apenas com Brad Dourif do elenco original.

Sente a trama:

Andy Barclay (Justin Whalin, um péssimo ator desde jovem), agora com 16 anos, indo para a Escola Militar Kent. Durante os oito anos entre os acontecimentos do segundo filme e deste, Andy tem passado de casa em casa, nunca ficando muito tempo com pais adotivos (uma situação similar à de Kyle em Brinquedo Assassino 2), e é tido como um encrenqueiro. Chegando na escola, torna-se o novo alvo do sádico e ditatorial Shelton (Travis Fine), uma versão jovem e menos durona do Sargento Hartmann, de Nascido Para Matar, e sofre o diabo na companhia de Whitehurst (Dean Jacobson), um jovem não serve pra ser um militar, e Da Silva (Perrey Reeves), uma gatinha que também é durona e inteligente, mas odeia a escola e não consegue ser expulsa.

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Enquanto isso, os executivos da Play Pals, liderados pelo inescrupuloso Sullivan (novamente interpretado por Peter Haskell), resolvem reativar a fábrica principal e começar a produção de uma nova linha de bonecos Caras Legais, que anos atrás devido ao caso de Chucky e Andy quase levou a empresa à falência (que ideia genial, né não?). Segundo um dos executivos, o interesse dos investidores no boneco está em alta, muito mais do que na época em que foi produzido originalmente, e segundo Sullivan ninguém liga mais para o tal Andy Barclay e seu boneco encapetado. Tudo bem, tudo maneiro, mas como a Play Pals é uma empresa corretíssima e adepta da reciclagem, usa a mesma borracha e mesmo plástico que estava lá na fábrica, mofando. Usaram, inclusive, os restos de um boneco que havia explodido há oito anos. Quando umas gotas de sangue do que sobrou de Chucky caem na borracha que será usada pra fabricar o novo brinquedo, isso inexplicavelmente traz o brinquedo assassino de volta à vida.

Após uma reunião na empresa, o primeiro Cara Legal da nova geração é entregado de presente a Sullivan. Adivinha quem é? Pois é… Após uma cena longa e desinteressante, Chucky mata Sullivan e depois simplesmente vai mexer no computador do empresário, onde acha uma pasta contendo informações sobre o paradeiro atual de Andy, num dos momentos mais absurdos do filme.

Pois é, gente. Chucky passou oito anos morto e sabe mexer no computador melhor que eu.

Enfim, Chucky, esperto que só ele, se envia pelo correio para a escola militar, onde deveria encontrar Andy e finalmente passar sua alma para o corpo do garoto. Porém, um jovem recruta chamado Tyler (Jeremy Sylvers), um garotinho fã dos Caras Legais, fica encarregado de entregar o boneco e acaba descobrindo o conteúdo da misteriosa caixa. Chucky revela-se para ele como Charles Lee Ray, e agora o boneco deverá passar sua alma para o novo garoto. Andy descobre que Chucky está na escola, e tenta alertar Tyler, que não dá ouvidos ao garoto. Após Chucky tocar o terror na escola, Tyler descobre as verdadeira intenções de seu boneco e acaba virando um refém. Cabe a Andy, Da Silva e Whitehurst resgatar a criança dar um fim em Chucky de uma vez por todas.

Pra começar, Brinquedo Assassino 3 tem uma história absurda e terrível, e a forçação de barra é tremenda: como aceitar que Chucky, um boneco de menos de 1m de altura, conseguir meter medo numa escola cheia de gente durona e bom de tiro? As frases de efeito faladas por Brad Dourif conseguem ser umas das mais engraçadas de toda a franquia, como por exemplo, quando estrangula Sullivan na casa do empresário (Chucky termina o trabalho e solta a pérola “Como nos velhos tempos. Nada como um estrangulamento para fazer o sangue circular!”).

Outro ponto fraco do filme é o elenco. Com exceção de Dourif, Jeremy Sylvers e Perrey Reeves, todos os outro atores estão ou ridiculamente exagerados ou impressionantemente ruins. Justin Whalin não tem metade do carisma de Alex Vincent. Travis Fine faz de seu Shelton um personagem exageradíssimo e um vilãozinho nada carismático (damos até graças a Deus quando ele vai pro saco). O mesmo vale para o insuportável Botnick (Andrew Robinson), um sargento que também é o barbeiro sádico da escola, que coleciona fios dos alunos e vive falando “Presto! Você está careca” pra eles. Porém a morte dele é uma das melhores do filme.ch3

O que salva o filme mesmo é o clímax no Parque de Diversões. Contudo, destoa completamente do tom do filme, pois somos levados literalmente do nada para lá durante os jogos de guerra da escola, onde Chucky começa a matança. Simplesmente há um parque de diversões lotado de civis no meio do mato! Mas, enfim, o desfecho é muito interessante e dá alguma dignidade a este que é o filme mais fraco da primeira trilogia de Chucky.

Logo depois, após a fraca bilheteria do filme, a Universal decide dar uma folga a Chucky, mas em 1998 ele voltaria agora com os dois pés afundados no humor negro. E ele não voltaria sozinho.

Na próxima parte do Especial Chucky: Quando o brinquedo assassino ganha uma parceira – A Noiva de Chucky!

Até lá!

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por Eduardo Lira

Yorgos Lanthimos, Athina Tsangari e a crise no novo cinema grego

Até que ponto uma crise econômica pode afetar a produção cultural de um país? A possível resposta foi dada por dois diretores dessa nova onda do cinema grego. Athina Rachel Tsangari, diretora em Attenberg (2012), disse que “O que acontece é que não temos muitos fundos, então, temos que gastar muito pouco para fazer filmes muito baratos”. Já Yorgos Lanthimos, que dirigiu Dente Canino (2009) e Alps (2011), afirmou que não sabe até quando diretores e produtores precisarão se sacrificar em nome da arte. Tais dificuldades, apontadas pelos dois diretores, refletem-se na produção de filmes deles: Lanthimos produziu Attenberg (2012), de Tsangari, e ela produziu os longas do diretor, incluindo Kinetta, de 2005.

lanthimostsaangriLanthimos e Tsangari

Há uma dificuldade enorme para se conseguir fundos e quem banque os filmes numa época tão turbulenta economicamente. No entanto, engana-se quem pensa que os filmes que vêm sendo produzidos no país mediterrâneo são, necessariamente, reflexos da crise econômica.

Tanto os filmes de Lanthimos quanto os de Tsangari tratam, de um jeito ou de outro, sobre relações familiares. Segundo Tsangari, a família é algo muito importante na Grécia. Ela, inclusive, chega a apontar esse sentimento fraternal e de confiança entre as pessoas do país como uma das causas dos resultados horríveis causados pela crise na Grécia. Outra particularidade comum aos dois diretores é a estranheza e peculiaridade dos filmes tão inusitados que criam.

Em Dente Canino (Lanthimos, 2009), a história gira em torno de um pai que mantém os três filhos, de 20 e poucos anos, confinados dentro de casa em um local afastado da cidade desde que nasceram. Além dos pais, nenhum dos três jamais cruzou o portão afora, nem teve contato com o mundo exterior à casa. Eles vivem, pensam e falam à maneira que lhes foi ensinada pelos pais. Todas as curiosidades que eles têm são sanadas com significados irreais criados pelos pais, que querem proteger os filhos das possíveis ameaças do mundo.                   Com um senso de humor insólito e culpado no começo, Dente Canino toma formas perturbadoras e inquietantes ao longo de seus 94 minutos.

dogtooth-450x297Cena de Dente Canino

Também de Lanthimos, Alpes (2011) conta a história de uma enfermeira, um paramédico, uma ginasta e seu treinador que têm um negócio distinto: eles formam um grupo denominado Alps, que oferece apoio a famílias que perderam entes próximos, substituindo quem morreu. São assim chamados porque, segundo o líder, o paramédico, os Alpes suíços poderiam substituir qualquer montanha no mundo, mas não poderiam ser substituídos por alguma outra.  Em troca de salário, cada integrante substitui uma pessoa e, com o consentimento da família, empenha-se a viver e fazer atividades como as pessoas que morreram faziam.                                                                                                                       Aqui também há humor contraditório e estranho, que contrasta muitas vezes com a angústia e desespero de quem busca preencher o vazio da perda de alguém querido, que, nesse caso, aparenta ser substituível.

Alps2Aggeliki Papoulia em cena de Alps

Attenberg (2010), de Tsangari, é sobre Marina (Ariane Labed), uma jovem de 23 anos que vive com seu pai, que é arquiteto e está com câncer. Ela evita contato com as pessoas, emocional e fisicamente, porque as julga estranhas. As pessoas com quem ela interage são seu pai, Spyros (Vangelis Mourikis) e sua única amiga, Bella (Evangelia Randou), com quem ela tem aulas sobre sexualidade.                                                                                                       Marina passa boa parte do seu tempo assistindo a documentários de David Attenborough sobre vida animal e escutanto sua banda preferida, Suicide. Enquanto Spyros, pessimista, espera sua morte, Marina se envolve num caso com um engenheiro que veio à cidade a trabalho.

attenbergEvangelia Randou e Ariane Labed em Attenberg

Mesmo que não muito comerciais, os filmes dessa nova safra grega vêm chamando muita atenção do mundo todo. Yorgos Lanthimos ganhou a mostra Um Certo Olhar de 2009, em Cannes, por Dente Canino; Ariane Labed, Marina em Attenberg, ganhou o prêmio de melhor atriz do Festival de Veneza de 2010.     Lanthimos, ao contrário de muitos, não acredita que os filmes que tem feito representem alguma cena pertinente no cenário cinematográfico do país, apesar de, assim como Tsangari, reconhecer a importância de retratar o país através de filmes para audiências no exterior e mesmo na Grécia.

Se há ou não denominações para o atual cenário cinematográfico grego, não se pode duvidar da criatividade e capacidade desses diretores. Criatividade e capacidade estas que eles mostraram ao realizar filmes originais e admiráveis com pouco orçamento e sem muitas condições.

Outros filmes da nova cena grega: L, Boy Eating the Bird’s Food, Strella, Tale 52.

Posters minimalistas: Filmes de Stanley Kubrick

Clássicos são sempre clássicos. E se tem um cineasta que produziu e deixou como legado um monte deles foi Stanley Kubrick. Alguns de seus filmes são inspirações, e para os artistas isso é um prato cheio. E numa tarde dessas, “navegando na net”, encontrei um fotógrafo e designer gráfico, Viktor Hertz que produz diversos posters minimalistas de diversos filmes. Numa dessas, ele fez um set especial em homenagem ao grande cineasta americano. Veja alguns:

O Iluminado (1980)

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2001: Uma Odisséia No Espaço (1968)

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Laranja Mecânica (1971)

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Lolita (1962)

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O trabalho dele não acaba por aí, você pode conferir o set completo em homenagem ao Stanley Kubrick aqui: http://www.flickr.com/photos/hertzen/sets/72157626370613642/ e seus outros trabalhos aqui: http://www.flickr.com/people/hertzen/.

por Andressa Ferreira

Depois de Lucía

Em seu segundo longa-metragem, o mexicano Michel Franco mostra a importância da comunicação com a família e as consequências de sofrer em silêncio

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Após a morte de Lucía em um acidente de carro, o viúvo Roberto e sua filha, Alejandra, mudam-se do interior para recomeçar a vida na gigante Cidade do México. Na nova cidade, com todas as mudanças que vêm sofrendo, Roberto consegue um novo trabalho e Alejandra vai se adaptando ao novo colégio.       Mas, depois do vazamento de um vídeo íntimo de Alejandra, ela passa a ser constantemente atormentada e humilhada por seus novos colegas de classe.

O filme é rodado, em sua maior parte, de um modo muito despretensioso, com tomadas de câmera simples e paradas, aliadas à falta de trilha sonora. O silêncio dos personagens é inquietante o bastante; Roberto (Hérnan Mendoza), o pai, é reservado e não muito expansivo, que é claramente consequência do luto que ele carrega. Alejandra, interpretada minuciosamente bem por Tessa Ia, também é calada e cautelosa. Um dos focos principais do filme é, inclusive, o isolamento e a incapacidade de Alejandra se manifestar sobre os abusos físicos e emocionais que sofre. Além de lidar com o próprio luto, Alejandra também se dedica a ajudar o pai, auxiliando-o com as tarefas do restaurante e o fazendo companhia.

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A forma como Franco retratou o bullying nesse filme e o abuso dos estudantes com Alejandra são muito impessoais e objetivos: sem moralismo ou busca de causas e soluções. O diretor tão apenas faz com o espectador se coloque no lugar da protagonista. Algumas das situações relatadas são extremas e difíceis de digerir, mas totalmente necessárias para que, ao se deparar com tamanha crueldade, possa-se absorver a história de uma forma clara e objetiva.

Depois de Lucía é um daqueles filmes que, definitivamente, crescem em você. Pode não parecer no começo, com o ritmo de filme imposto por Franco, mas, com o desenvolvimento da trama e conforme a tensão aumenta, não é difícil sentir-se dentro dele, sofrendo junto com Alejandra.

O filme faturou o prêmio máximo da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes de 2012, e uma menção honrosa na sessão Horizontes Latinos, no Festival de San Sebastián (Espanha), além de destacar o jovem diretor Michel Franco.

Para assistir ao trailer do filme, clique aqui.

Nota: 4/5

ESPECIAL CHUCKY – Parte 2: Brinquedo Assassino 2 (1990)

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Peek-a-boo!

Em 1989, logo após o primeiro filme da série Brinquedo Assassino ter sido lançado em VHS, a United Artists vendeu os direitos de uma possível continuação para a Universal Pictures, que enxergou o potencial de mais filmes com o boneco endiabrado. Assim, o novo estúdio anunciou ainda no mesmo ano a produção do segundo filme da série, com direção do amigo de Mancini dos tempos de UCLA John Lafia e roteiro do próprio Mancini. O filme estreou em novembro de 1990.

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Na trama de “Brinquedo Assassino 2”, Andy Barclay (novamente interpretado pelo talentoso Alex Vincent) é separado de Karen, sua mãe, e vai parar em um orfanato, tendo sessões regulares de terapia. Ele, então, é adotado pelo simpático casal Phil (Gerritt Graham, de “O Fantasma do Paraíso”) e Joanne (Jenny Agutter), que também é responsável pela adolescente rebelde Kyle (Christine Elise, de “Invasores de Corpos”).

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Enquanto isso, os empresários da Play Pals, a empresa responsável pela fabricação do boneco Cara Legal, comandados pelo Sr. Sullivan (Peter Haskell, que atuava na novela que Mancini trabalhava), resolvem reconstruir o boneco a partir do material que foi encontrado no apartamento dos Barclay, para comprovar que não havia nada de errado com ele. Ao reconstruir o boneco, a alma de Charles Ray volta ao pequeno corpo de Chucky, e acaba matando um empregado da fábrica no processo. Ao saírem da fábrica assustados, Sullivan ordena que o seu secretário suma com Chucky, que acaba no carro do empregado. Após convenientemente encontrar uma ficha com informações sobre Andy e descobrir o paradeiro do garoto com apenas um telefonema, Chucky faz o secretário de Sullivan levá-lo ao novo lar de Andy.

Chucky consegue invadir a casa e enterra o boneco Cara Legal que havia lá, ficando assim no lugar dele, porém Andy acaba descobrindo que Chucky voltou após este tentar novamente passar sua alma para o corpo do garoto. Como, novamente, ninguém acredita nele, Andy deve combatê-lo sozinho por um tempo. Agora, Chucky deve ser rápido, pois está se tornando humano mais depressa do que da última vez, e se não transferir logo a sua alma pro corpo de Andy ele será condenado a viver no corpo de borracha pra sempre. Andy se mostra bem valente, e insiste em dizer que Chucky está por trás das últimas mortes ocorridas ao redor (como a da professora e a do secretário de Sullivan). Quando mais mortes e coisas estranhas acontecem, Kyle acaba descobrindo a verdade sobre Chucky encontrando o “cadáver” do antigo boneco Cara Legal que Chucky destruiu para poder viver na casa, e então passa a ajudar Andy, que foi levado pelo brinquedo assassino até uma das fábricas da Play Pals, lugar onde ocorre um tenso e interessante clímax

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Lançado dois anos após o original, “Brinquedo Assassino 2” é ótimo porque consegue renovar algumas ideias do filme anterior (como o fato de ninguém acreditar em Andy), mas ao mesmo tempo oferece uma narrativa mais solta, mais cheia de ação, com mais coisa acontecendo e mesmo que novamente esteja cheio de furos e situações surreais – afinal a cabeça de Chucky, como vemos no início do filme, é de metal, mas quando ela explode não sobra um pedacinho de metal em canto nenhum! -, mais divertida. Embora a partir daqui Chucky comece a ficar mais irônico, mais engraçado e cheio de frases de efeito (coisa que virou marca registrada nas outras sequências), ele ainda é um assassino cruel e um vilão de primeira, capaz de assustar e fazer você tapar os olhos durante a exibição do filme.

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Tudo parece bem mais resolvido e flui melhor neste filme do que no seu antecessor. Os atores também vão muito bem, com menção para a cena da morte de um dos personagens principais perto do final do filme, em que todos os atores principais estão reunidos nesta única cena, cada um dando o seu showzinho particular. Mas o show principal continua sendo o de Brad Dourif na voz de Chucky, soltando frases de efeito à vontade e exibindo uma voz assustadora. Em resumo, este “Brinquedo Assassino 2” é sem dúvida o melhor momento da franquia, que se perderia no escracho e tiração de sarro logo depois.

Ainda em 1990, antes de “Brinquedo Assassino 2” ficar pronto, a Universal ordenou que Mancini desenvolvesse logo, às pressas, o roteiro do terceiro filme, a ser lançado em agosto de 1991 (menos de um ano depois do seu antecessor). O resultado foi um filme fraquíssimo, mal desenvolvido e completamente sem sentido. Mas isso é assunto para a parte 3 do Especial Chucky. Até mais!

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